<![CDATA[Nuno Carvalho - A Guerra do Destino - Blog]]>Mon, 07 Mar 2016 00:39:14 +0000Weebly<![CDATA[O começo de uma aventura...]]>Sun, 06 Mar 2016 16:22:15 GMThttp://nunocarvalhoaguerradodestino.weebly.com/blog/o-comeco-de-uma-aventuraBoa tarde a todos! Antes de mais, quero desculpar-me pela minha negligência a este espaço. Tenho estado um pouco ocupado mas, ao mesmo tempo, não sabia bem o que haveria de escrever no blog...

Estou aqui, então, para remediar isso.

6 de Março é um data muito importante para mim. Foi, a 6 de Março de 2013, que eu comecei a escrever "O Assassino de Kyo", a aventurar-me neste mundo da literatura como escritor.
Recordo-me, na altura, do que estava a sentir quando comecei a digitar as primeiras palavras no documento que viria a ser o primeiro manuscrito das aventuras de Drek'thar. 
Parece-me que estes 3 anos se passaram num instante, num turbilhão de acontecimentos. Tem sido uma experiência única, passar de aspirante a escritor para escritor, receber elogios à obra e aos personagens que criei.
As minhas expectativas iniciais, se posso ser franco, eram muito baixas. Não esperava agradar ninguém, esperava que ninguém levasse este meu sonho a sério e me que me dissessem para "crescer" e arcar com todas as minhas responsabilidades. Não ajudou o facto de estar numa altura menos boa da minha vida, em que praticamente questionava tudo o que fazia, em que pensava constantemente se o que estava a fazer era certo ou errado.
No entanto, havia sempre uma luz ao fundo do túnel. Uma certeza. Uma esperança. Eu sabia que queria escrever e que queria partilhar isso com o mundo.
Apesar de me questionar sobre o que estava a fazer e de, muitas vezes, querer desistir, continuei o meu caminho. Julgo que não é por acaso que, no livro, o Drek se questiona sobre o que faz e o que lhe está a acontecer.

A escrita teve um papel muito importante, e ainda tem, na minha vida e é com muita alegria que verifico que as coisas negativas que eu pensava que iriam acontecer não se verificaram. As pessoas elogiaram o que criei, chamam-me escritor e encorajam-me a continuar a escrever para descobrirem todas as histórias que ainda vão surgir.

Sei que me torno repetitivo, mas quero agradecer a todos vocês que tornaram este meu sonho e desejo possível. Sei que nem toda a gente tem acesso a este carinho e apoio das pessoas e quero que saibam que me sinto, muitas vezes, privilegiado.

​Muito obrigado e boas leituras!
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<![CDATA[2015 e avançar em frente]]>Wed, 30 Dec 2015 23:14:26 GMThttp://nunocarvalhoaguerradodestino.weebly.com/blog/2015-e-avancar-em-frenteImagem
2015 foi um ano único para mim. Perdi algumas coisas, mas também ganhei.

Em termos literários, foi o ano em que me estreei como autor, com "O Assassino de Kyo" a sair para as livrarias em Abril. 
Até agora, tenho recebido bons comentários daqueles que escolheram partilhar as suas opiniões comigo. Agradeço-vos, do fundo do coração, são estes comentários que me fazem continuar. São essas palavras que me compelem a criar as minhas histórias e a querer partilhá-las convosco.
Espero que 2016 seja rico de novas histórias, minhas e de outros autores. E que, tanto eu como vocês, tenhamos um ano dez vezes melhor do que 2015!


Aproveito para fazer, então uma retrospectiva ao meu ano de 2015, debruçando-me em outras obras que li.
THE BROKEN EMPIRE TRILOGY - Por Mark Lawrence


















Comecei a ler esta trilogia em 2013, que começa com "Prince of Thorns"​. Nos dois anos seguintes adquiri os restantes livros, "King of Thorns" e "Emperor of Thorns". Li o último livro este ano. Esta trilogia abriu as portas da minha mente sobre o que eu considerava fantasia. Mostrou-me que o lado negro pode ser interessante e atractivo. Jorg é um protagonista que a maioria das pessoas não gostariam de ver representado numa história, mas não deixa de ser extremamente carismático e interessante, mesmo nos momentos brutais. Acrescentem uma fantástica prosa à narrativa e têm nas mãos uma obra de arte extraordinária. 
Sinto que palavras não chegam para descrever o que Mark Lawrence criou. Apenas posso dizer que, a partir do momento que começo a ler um dos seus livros, não o consigo pousar.
Já comprei os dois livros da próxima trilogia de Mark Lawrence, "Prince of Fools" e "The Liar's Key", por isso, podem perceber o quanto gosto deste autor.

THE KINGKILLER CHRONICLES (Ou As Crónicas do Regicida em Português) - Por Patrick Rothfuss
Comecei a ler os livros de Patrick Rothfuss o ano passado. As Crónicas começam com "O Nome do Vento"e contam a história do misterioso e lendário Kvothe, uma personagem extremamente famosa no mundo de Rothfuss, Temerant.
Este livro e o seguinte "O Temor do Homem Sábio" são extensos. E quando digo extensos, digo EXTENSOS. O mundo está criado até ao mais íntimo detalhe, os personagens são reais e interessantes, canções escondem a verdade do mundo nas suas letras... Estas obras são um exemplo de worldbuilding (talvez demais) mas prenderam-me de uma maneira que não consigo explicar. Recentemente tive que requisitar "O Nome do Vento" à biblioteca (visto que não tenho a versão portuguesa, só a inglesa), para voltar a ler algumas partes, porque não conseguia deixar de pensar na história.

De referir que Patrick Rothfuss chegou, recentemente a um acordo com a Lionsgate para produzirem as Crónicas do Regicida em Cinema e em Televisão. Em breve, poderemos conhecer Kvothe e outros personagens de Temerant de uma maneira única.
A Saga do Assasino (Ainda a ler) - Por Robin Hobb
Hobb é uma notável contadora de histórias. Os personagens que descreve são extremamente humanos, especialmente num mundo de fantasia onde muitos não esperariam. 
Adoro o Fitz, embora não concorde com todas as suas decisões, o que é bom! Se não concordam com o que o protagonista de uma história está a fazer, isso significa que a personagem está bem escrita e conseguiu-vos capturar.
Ela tem, provavelmente, a maneira de escrever mais simples dos autores que referi, mas, ao mesmo tempo, das mais interessantes.
O mundo que criou é único e detalhado e sei que a Saga continua até aos dias de hoje. Para por as coisas em perspectiva, "Aprendiz de Assassino", o primeiro livro da saga de Fitz, foi publicado em 1995 e, em 2015, ainda continuam a sair livros da sua história.
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<![CDATA[Um ano de "O Assassino de Kyo"!]]>Mon, 07 Dec 2015 17:01:53 GMThttp://nunocarvalhoaguerradodestino.weebly.com/blog/um-ano-de-o-assassino-de-kyo
Em Abril de 2015, fez um ano desde que acabei de escrever a história do meu primeiro livro, "O Assassino de Kyo". 
Agora, em Dezembro, celebro um ano desde que enviei a versão final do romance para a Chiado Editora (parte do documento Word na imagem acima) , que em finais de Outubro de 2014 me tinha informado do seu interesse para publicar a minha obra.
Aproveito agora para celebrar estas três importantes datas e reflectir sobre o que passou e o que se vai passar no futuro da Guerra de Destino.

Encontro-me a escrever o segundo livro da série, entre outras coisas, e sei que mudei, tanto em termos literários como pessoais.
A minha escrita evoluiu e penso que vai sempre evoluir, não só pelas coisas que leio e tenho lido, mas também pelas técnicas que aprendi, tanto seja na escrita como em métodos de trabalho.
"O Assassino de Kyo" foi o meu primeiro romance e, como o autor e leitor de fantasia, sei que o texto esteve em tempos "tremido".
Como diz Patrick Rothfuss: "A tua primeira experiência com algo novo nunca vai ser perfeita." (Estou a parafrasear)

Assim foi neste mundo da Literatura.

Leio o que agora escrevo com novos olhos e tenho boas esperanças pelo futuro. Como escritor, quero sempre evoluir e descobrir novas maneiras de prender o leitor. De contar, como contador de histórias, aquela história que "aprisiona" o leitor e o faz voltar para mais.

É nessa temática que aproveito para desvendar a "cortina" nesse próximo passo da Guerra do Destino. Adoçar-vos a boca, se mo permitem.

Com o título "Os Fios do Destino", espero que este segundo livro da série da Guerra do Destino supere as minhas e as vossas expectativas. Demorará o seu tempo até estar completo, talvez mais do que "O Assassino de Kyo", mas prometo que valerá a pena.

!!!! (Atenção: Daqui para baixo encontram-se "spoilers" de "O Assassino de Kyo". Se ainda não o leram, sugiro que saltem esta parte. Os "spoilers" terminam mais abaixo e estão assinalados) !!!!!!

Agora, o leitor pergunta-se:
O que se segue depois do ataque a Eloughall?


Bem, depois do ataque a Eloughall, posso dizer que entramos na tão aguardada Guerra do Destino. No confronto das partes que querem controlar a Ilha de Kyo.
O leitor saberá que por detrás de isto tudo está o Campeão do Destino, aquele jogador escondido pelas sombras que parece controlar todos os acontecimentos da Ilha.
Iremos descobrir as consequências do ataque a Eloughall por parte dos Azmondaziel e como é que Drek'thar, o nosso protagonista, irá reagir à expectativa da guerra.
Como é que ele reagirá à possibilidade de novas mortes, incluindo daqueles mais próximos de si?
Como é que esse ataque influencia as outras partes do Pacto e até de Kyo?


É aqui que as rodas da nossa máquina metafórica se começam a mexer. O tal efeito borboleta.

Para isso, para conhecermos os acontecimentos futuros e até ter mais contexto sobre alguns do passado, precisaremos de mais narradores.



!!!! (Os "spoilers" terminam aqui) !!!!!!!

Por isso, apresento-vos os narradores de "Os Fios do Destino"!
Narrador 1 - Drek'thar (Primeira imagem abaixo. Pertence a mr-nadie)

Drek'thar irá contar-nos o que se passa no Pacto dos Corações de Ferro, como o fez em "O Assassino de Kyo". A sua personalidade encontra-se mais sombria e revoltada. Os conflitos morais perseguem-no mas também a promessa de vingança.
Como é que ele agirá perante o conflito inevitável?


Narrador 2 - Sir Brandr (Segunda imagem abaixo. É apenas uma imagem que pode representar a personagem. Fonte da imagem )

Sir Brandr irá dar-nos a perspectiva do Reino do Trovão, também conhecidos como "Renegados" pelo Pacto. O possível início de um conflito entre as quatro facções da Ilha tem consequências para todos e o Reino do Trovão não é excepção.
Sir Brandr é o Comandante da Guarda Real de Balder. Ele é um cavaleiro preenchido pela honra e pelo dever, um avatar de lealdade. 
O seu traço mais significativo é a Lâmina-Trovão, uma lendária espada que é passada, de geração em geração, àquele que é considerado o melhor guerreiro de Kyo. 
Iremos descobrir mais sobre o Reino do Trovão e sobre a vida em Goendhall, a sua capital. Como é que eles encaixam na Guerra do Destino?


Narrador 3 - O Corvo (Terceira imagem abaixo. É apenas uma imagem que pode representar a personagem. Fonte da imagem )

O Corvo é uma personagem bastante interessante. Ele é referido brevemente em "O Assassino de Kyo" e não de uma maneira muito agradável. Apenas se sabe que ele tem assassinado pessoas em Eloughall, mas parece que o seu propósito não está definido. 
Em "Os Fios do Destino", tudo fará sentido.
O Corvo irá ligar certas coisas do passado com o presente, com a sua personalidade irreverente e misteriosa.
Também iremos saber como e porquê adoptou essa personalidade, para além de descobrir as trevas que o rodeiam e o seu papel na Guerra do Destino.
​ 




Espero que tenham gostado das novidades e que me "perdoem" por este longo post.

Como têm sido as vossas experiências com "O Assassino de Kyo"?
​Gostaria muito de ouvir a vossas próprias histórias!

Obrigado e boas leituras!
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<![CDATA[Entrevista com Mark Lawrence]]>Wed, 11 Nov 2015 12:48:46 GMThttp://nunocarvalhoaguerradodestino.weebly.com/blog/entrevista-com-mark-lawrenceImagem

 Bom dia! Recentemente tive o privilégio de entrevistar o autor Mark Lawrence. Para quem não o conhece, Mark Lawrence é um escritor de fantasia, com dupla nacionalidade (norte-americana e britânica). Os seus livros já foram traduzidos em inúmeras línguas e ele é um best-seller internacional. Infelizmente, Portugal ainda não teve o privilégio de ser agraciado com traduções dos seus livros, mas, no Brasil, os seus estão a ser traduzidos pela Darkside Books.



Lawrence é um dos meus escritores favoritos, não só pela maneira como elabora a prosa, não só pelos seus personagens mais negros, mas também pela elaborada e desafiante história que apresenta.

Como podem imaginar, entrevistá-lo foi uma honra e tratou-se de uma experiência única.

Deixo aqui, então o texto traduzido da entrevista:

Mark Lawrence é um escritor de fantasia e é o autor da “Trilogia dos Espinhos” (The Broken Empire Trilogy), traduzida para português do Brasil pela Darkside Books, e também é o autor da “Guerra da Rainha Vermelha” (The Red Queen’s War), a sua mais recente trilogia. O último volume desta trilogia: “The Wheel of Osheim” sairá em Junho de 2016. Lawrence também já tem outra trilogia com acordo de lançamento, “The Red Sister” (A Irmã Vermelha).
Antes de mais, muito obrigado por ter tirado algum tempo do seu horário para esta entrevista. É uma honra para mim ter a oportunidade para lhe fazer algumas perguntas, especialmente porque sou um enorme fã do seu trabalho.


Vamos começar a falar sobre as suas obras.


P1 – Eu sei que o Jorg (personagem principal da “Trilogia dos Espinhos”) é baseado em Alex de “A Laranja Mecânica” de Anthony Burgess, no sentido em que ele é o líder de um grupo de criminosos e que ele não tem qualquer problema em ser cruel e violento. Existe mais algum personagem na “Trilogia dos Espinhos” que seja baseado num livro, filme ou jogo?


R1 – Nem por isso. O que não deixa de ser uma resposta aborrecida! Creio que o Dr. Taproot é baseado num personagem de um jogo Play-by-mail (uma espécie de RPG como Dungeons & Dragons) que eu ajudava a gerir. Play-by-mail era “famoso” antes da Internet. “Saturnalia” tinha cerca de 1000 jogadores e na área que eu geria os jogadores encontravam o Dr. Taproot frequentemente.


P2- Quanto de um autor passa para o protagonista de uma história que estamos a contar? No meu caso, penso que o Drek’thar herdou, de certa forma, a minha maneira de avaliar o mundo e tem uma intelectualidade emocional muito semelhante à minha. O Jorg (“Trilogia dos Espinhos”) ou o Jalan (“A Guerra da Rainha Vermelha”) “herdam” alguns traços seus?


R2- Não creio que sim. Novamente uma resposta aborrecida. No entanto, parece existir uma certa suposição pouco sofisticada da parte dos leitores que um autor e o seu personagem são a mesma coisa. Alguns leitores levam esta noção para um nível em que começam a criticar um autor pelas coisas que o personagem faz. Já tive, seriamente, pessoas que pensavam que EU tratava as mulheres de forma atroz na vida real porque o Jorg o faz num dos livros. Julgo que isso acontece com actores também. Existem alguns elementos do público que ficam zangados com eles e que os tratam mal na rua porque o personagem que eles interpretaram na TV fez algo de errado.

P3- Eu sei que o Mark é um homem da Ciência. Eu também estudei Engenharia Informática, mas mantive sempre o meu amor pela Literatura e as Artes. Julgo que, ao estudar programação, o meu processo mental tornou-se mais “efectivo”. Consigo olhar para certos personagens ou pontos da história e saber como é que eles se vão desenvolver. É como saber o que queres que o teu programa faça, apenas te faltam alguns detalhes (funções, variáveis…). Até que ponto julga que a Ciência influenciou a sua escrita?

R3 – Bem uma vez foi-me oferecido um trabalho como professor num departamento de Engenharia Informática e tenho elaborado códigos (mal) durante muitos anos no meu trabalho. No entanto, a minha experiência de escrita tem sido bastante diferente da tua – o que apenas serve para mostrar que, embora a ciência possa ser prescritiva, a maneira como a escrita acontece é bastante pessoal e altamente variável. Eu não costumo, regra geral, planear as minhas histórias. “A Trilogia dos Espinhos” e “Guerra da Rainha Vermelha” não foram planeados. Não fazia ideia de como uma página iria acabar, nem como acabaria um capítulo ou um livro.
À parte de me equipar com um conhecimento geral para utilizar como recurso, e elaborar como a “magia” podia ser explicada, diria que não, a ciência não influencia a minha escrita. Existem elementos significativos do género de ficção-científica. No entanto, ficção-científica está à distância de um mundo do verdadeiro trabalho científico.


P4- George R. R. Martin uma vez disse que existem dois tipos de autores: o arquitecto e o jardineiro. O arquitecto planeia tudo antes do tempo, como se estivesse a construir uma casa, enquanto o jardineiro planteia a semente e observa-a a crescer e a ganhar os seus ramos. Qual é o tipo a que o Mark pertence?


R4- Jardineiro. Sem qualquer sombra de dúvida.

P5- “A Trilogia dos Espinhos” e “A Guerra da Rainha Vermelha” são contadas por personagens completamente diferentes, com personalidades distintas. Como é que a sua mentalidade mudou ao escrever esses personagens em específico? Houve algum momento em que pensou: “Se o Jorg estivesse aqui, ele simplesmente esfaqueava este tipo!”

R5- Não acredito que a minha mentalidade tenha mudado, no sentido em que tenha diferido muito de quando leio dos livros diferentes ou vejo dois filmes distintos. Eu tive que, certamente, manter uma imagem bastante clara do personagem que estava a retractar – mas esse é sempre o caso.
Mas sim, tive certamente ocasiões em que pensei que o Jorg lidaria com os desafios do Jalan de uma maneira completamente diferente!


P6 – Sempre soube que iria navegar pelos territórios da Rainha Vermelha? Ou foi algo espontâneo? Quando a introduziu pensou: “Este é um personagem muito interessante, deveria arranjar maneira de a conhecer melhor no futuro.”

R6- Não, eu não sou um planificador. Sentei-me um dia e disse a mim próprio: “ Preciso de escrever um novo livro…” Comecei a escrever e pouco depois a Rainha Vermelha apareceu.

 
Vamos agora falar um pouco sobre fantasia e sobre escrita.


P7 – A sua prosa é bastante aclamada pelos leitores e no passado referiu que costumava escrever poesia. Acredita que seja por isso que as pessoas a elogiam muito?

R7 – Ao escrever poesia, estás definitivamente susceptível ao poder da linguagem num nível mais pequeno, por ser linha a linha. Escrever prosa que as pessoas gostam requer um balanço delicado. Contadores de histórias costumam escrever prosa simples – estão mais preocupados em levar a história para o seio da cabeça dos leitores. É a história que vai excitar o leitor e fazê-lo regressar. Muitos escritores de sucesso são contadores de histórias e nada mais.
Não é preciso puxar da linguagem e tentar escrever de forma bela. Isso é perigoso porque pode incomodar o leitor muito rapidamente e fazê-lo ir embora. Muitas poucas pessoas gostam de ler poesia. Por isso, a arte consiste em capturar elementos da poesia mas usá-los espaçadamente, de maneira a produzir frases que façam as pessoas olhar duas vezes e que depois as queiram partilhar, mas que não sejam tão densas de maneira a se sobreporem à história.


P8 – Sabemos que a literatura está em constante evolução. Se olharmos para trás na História, vários movimentos artísticos sempre conseguiram influenciar os escritores. (Modernismo, Romantismo…) Julga que a Fantasia está a evoluir? Será que a Fantasia que é escrita nos dias de hoje é assim TÃO diferente da que era escrita há 50 ou mais anos?

R8 – Essa é uma pergunta que eu não estou muito qualificado para responder. Apenas leio uma pequena fracção do que existe por aí fora, e não costumo ler Fantasia que tenha sido escrita há 50 anos.
Tenho a certeza de que existem diferenças. Para mim, a Fantasia moderna parece-me menos estilizada e mais preocupada em retractar pessoas complexas e reais (embora extraordinárias). As histórias estão mais focadas nos personagens do que antes. Na Fantasia dos anos 80, o personagem era muitas vezes mais “vazio” porque servia muitas vezes como uma janela para o mundo e, assim, o mundo era a história. Mas existem sempre excepções à regra.


P9 – Qual é o sítio perfeito para a escrita, para si? E como é que a sua escrita acontece? Costuma ouvir música? Costuma escrever sozinho? E tem algum episódio engraçado sobre o processo de escrita?

R9 – Costumo escrever onde estou. Não preciso de um lugar especial, nem de rituais ou de música. Mas costumo estar sozinho quando escrevo.
Não tenho nenhuma história engraçada. É, no entanto, importante referir que escrevi “Prince of Thorns” (O primeiro livro da “Trilogia dos Espinhos”) em quartos de hospital, durante as altas horas da noite. A minha filha mais nova passou muito tempo em hospitais e eu estava sempre com ela. Se consegues escrever numa ala hospitalar, consegues escrever em qualquer lado.


P10 – Sei que o Mark é um ávido leitor de Fantasia, pois costuma ler uma quantidade enorme de outros autores e tem bastante conhecimento sobre o género. Quais são algumas coisas que gosta de ler em Fantasia e quais são algumas coisas de que não gosta?

R10 – Eu gosto certamente de ler Fantasia, mas sou um leitor muito lento. Apenas leio cerca de 10 livros por ano.
Os meus gostos tendem em alinhar com a opinião do público por uma larga margem. George R. R. Martin e o Patrick Rothfuss são bastante populares… e quando eu li os livros deles, gostei bastante. Não existem muitos exemplos em que a minha opinião e do público se diferenciassem muito.
Costumo gostar de livros que estão muito bem escritos. E isto quer dizer que se alguém é um óptimo contador de histórias mas escreve numa prosa desajeitada, perde-me facilmente.
Prefiro livros onde os personagens são interessantes por si próprios, em vez de apenas estarem ali para suportar o enredo, ao mesmo tempo que o enredo é um dos pontos fortes do livro.
Não sou muito fã de detalhes excessivos ou “world-building”( construção do mundo) muito extenso. No entanto, eu gosto da obra do George Martin, por isso...
Não sou muito fã de romance.


P11 – Presumo que lhe perguntem isto muitas vezes, mas decidi que lhe iria perguntar na mesma. Para mim, houveram alturas em que pensei: “Bem, esta história está uma porcaria, está terrivelmente mal escrita e nunca vai ser publicada.” No entanto, o que me fez continuar na altura, foi a promessa que fiz a mim próprio: “Se eu começar a escrever esta história. Se eu começar a escrever a história do Drek, vou ter que a acabar.” Costumo dizer que escrever este livro foi como escalar o Monte Everest com a minha mente, mas quando finalmente terminei, senti-me exausto mentalmente mas com um sentimento de realização que nunca tinha experimentado antes.
Algo deste género aconteceu consigo? E se sim, como é que o ultrapassou?


R11 – Não, isso não me aconteceu. E sim, costumam-me perguntar sobre motivação.
Eu nunca tive ambição de ser escritor. Não era uma coisa em que pensava quando era mais novo. Nunca me imaginei a segurar num dos meus livros ou a autografá-los para os meus escritores. Eu escrevi porque gostava – porque a minha imaginação inquieta me obrigava a isso.
Quando eu não tenho vontade de escrever… Não escrevo. Antes de ter contractos e pagamentos prévios a ideia de um livro que eu tinha começado a escrever não ser acabado não me incomodava. Não me teria sentido um falhado. Apenas me estava a divertir – parar porque uma coisa deixa de ser divertida não é um falhanço.
Algumas pessoas que querem ser autores vêem a escrita como algo que têm que sofrer e superar para o serem. Eu queria escrever – era o meu próprio propósito e fim.


Quero agradecer, mais uma vez, ao Mark Lawrence por me ter deixado entrevistá-lo e por ter tirado tempo do seu horário bastante preenchido para responder às minhas perguntas.

Espero que tenham gostado! Prometo mais novidades no futuro.


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<![CDATA[Introdução]]>Mon, 02 Nov 2015 13:56:26 GMThttp://nunocarvalhoaguerradodestino.weebly.com/blog/introducaoBem-vindos ao blog/site da Guerra do Destino.

Antes de mais quero agradecer a todos aqueles que visitarem a página.

Este site surgiu como a resposta a uma necessidade que eu tinha de divulgar e criar mais conteúdo da Guerra do Destino (e de outras histórias que possam vir a surgir), colocar opiniões ou comentários mais extensos do que aqueles que poderia colocar na página do Facebook, sobre os mais diversos assuntos, sejam eles sobre a obra, seja sobre literatura, ou até sobre o género literário. Isto também abre portas a um novo conjunto de interacções com os meus leitores, que é essencialmente para eles que faço o que faço.
Este site serve, também, para apresentar o que escrevo e posso vir a escrever, de forma mais elegante e, fundamentalmente, mais profissional.


Para já, deixo o meu post introdutório e prometo novidades para breve!

Boas leituras.]]>